os textos aqui apresentados são redigidos em desacordo com o Acordo Ortográfico #AO90







terça-feira, 6 de outubro de 2009

HOJE, ainda. Amália, sempre.

Ainda estão presentes os ecos do concerto de ontem, pelo projecto HOJE.


Se a importância ou o valor da «nossa» Amália são inquestionáveis, a roupagem que os Hoje deram à sua música já não assume essa inquestionabilidade. Muitas têm sido as vozes que se têm insurgido contra a forma ligeira e pop com que os poemas outrora cantados por Amália foram reinventados pelo projecto liderado por Nuno Gonçalves. Mas a julgar pelo êxito de vendas do cd, pelos concertos sempre esgotados, calculo que também sejam imensas as vozes que se rendem aos Hoje.

Eu rendi-me desde o primeiro dia. Não recordo exactamente o momento, mas sei que antes de reconhecer os Hoje, reconheci a voz da Sónia Tavares na Gaivota. E disse: hummm mas isto é um fado da Amália!


Daí à descoberta do projecto, foi um passo. E daí à compra dos bilhetes para o concerto de 5 de Outubro foi outro passo.

Confesso que Nuno Gonçalves é para mim uma garantia de qualidade, em termos musicais. E as pessoas de quem ele se rodeou para este projecto foram «escolhidas» a dedo.

O concerto abriu com um inédito e o alinhamento foi perfeito, numa noite onde as surpresas espreitavam a todo o momento. Arrepiante foi o momento em que é projectado um ensaio de Amália com Alain Oulman, de um tema de seu nome Soledad. Que lindeza tamanha. A conversa sobre a Verdade daquilo que era Amália e daquilo que ela fazia em palco. Arrepiante e de embaciar a vista.


Hoje ouvi Amália, numa entrevista dada algures nos anos 90, a dizer que não era lutadora. Que tinha tido aquele destino e que as pessoas lhe tinham dado oportunidades e lhe tinham aberto portas. Enganas-te Amália. Talvez de forma inconsciente, lutaste pela saudade, pelo fatum que é nosso, assumindo uma estranha forma de vida e sendo fiel à Verdade que eras.


Já basta saber
Que há em nós a saudade a doer
Se afinal recordar é sofrer
Rasga o passado

1 comentário:

Pi disse...

Curiosamente, Amália só se tornou "viva" em mim, depois de ela ter partido. Na altura era nova demais para saber apreciar a sua obra, o seu fado, a sua unicidade. Curiosamente, e como o que é especial perdura, só mais tarde a descobri e me apaixonei.

Redescubro-a posteriormente em tantas outras, um bocadinho mais, e volto a apaixonar-me. Pelo fado, pelo fado cançao, pelo fado tradicional. Ana Moura, Mafalda Arnauth, Mariza, Catia Guereiro estão no meu top.. e agora Carminho.

Voltei a redescobrir Amália na Sónia Tavares, uma roupagem muito diferente, mas igualmente encantadora.

Assumidamente, sou fã desta senhora. Destas senhoras.