os textos aqui apresentados são redigidos em desacordo com o Acordo Ortográfico #AO90







segunda-feira, 5 de outubro de 2009

HOJE. Amália.



Ainda bem que um dia vieste sussurrar-me o Barco Negro ao ouvido, para me lembrar que não era a única que sofria com a distância de alguém que está perto e longe ao mesmo tempo.
Ainda bem que foste intuição de uma ponta à outra e mostraste que SER FADO é simplesmente ser, amar, estar, cantar, sofrer, partir e regressar.
Ainda bem.



‘Inda bem que o tempo passou


e o amor que acabou não saiu.


‘Inda bem que há um fado qualquer


que diz tudo o que a vida não diz.


Ainda bem que Lisboa não é


a cidade perfeita p’ra nós.


Ainda bem que há um beco qualquer


que dá eco a quem nunca tem voz.


‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,


do alto daquela janela.


Há noites em que a saudade me deixa a pensar:


Um dia juntar-me a ela.


Um dia cantar…


como ela.

‘Inda bem que eu nunca fui capaz


de encontrar a viela a seguir.


‘Inda bem que o Tejo é lilás


e os peixes não param de rir.


Ainda bem que o teu corpo não quer


embarcar na tormenta do réu.


Ainda bem se o destino quiser


esta trágica historia, sou eu.


‘Inda agora vi a louca sozinha a cantar,


do alto daquela janela.


Há noites em que a saudade me deixa a pensar:


Um dia juntar-me a ela.


Um dia cantar…


como ela.



foto de Amália retirada daqui

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