os textos aqui apresentados são redigidos em desacordo com o Acordo Ortográfico #AO90







sábado, 23 de outubro de 2010

andar de metro é uma experiência simultaneamente transcendental e terrena

um casal entra na carruagem
gente já para cima dos 60 anos
ambos muito arranjados; ele de fato e gravata, ela de blusa de seda beje e saia azul escura

ela fala ao telemóvel:

«isto foi uma vergonha. estamos no consultório desde as 14h e o médico chega às 17h, entramos e estamos lá 5 minutos.... sim, 5 minutos... então, pagámos 75 euros...
(e continua)
não disse nada, aumentou a dose do betarsec...»

[para quem não sabe, este medicamento é normalmente prescrito a quem tem síndromes vertiginosos]

ela desliga. o barulho do metro era verdadeiramente ensurdecedor. ele continua a falar com ela e ouve-se

«e eu, quando estava a fazer lá o teste, disse "abana um bocadinho" mas não abanava nada. foi só para ver o que ele dizia»

responde ela:

«estiveste muito bem»

e é isto! um médico que se atrasa e atende os seus pacientes no tempo exacto de uma comunicação no IGNITE (cinco minutos); uma esposa dedicada que  acha que o seu marido tem uma boa prestação quando diz «abana um bocadinho», mas na verdade... nem por isso!

tudo isto e muito mais. num Metro, perto de si.

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