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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

5, 7 minutos.

2011 será o ano em que regresso ao voluntariado, depois de uma breve experiência numa instituição com a qual não me identifiquei. Sim, por vezes as instituições com uma imagem forte, são fracas e débeis na sua estrutura.

Mas o «bichinho» do voluntariado ficou adormecido, à espera da oportunidade certa.
Há algumas semanas contactei uma instituição para saber da possibilidade de me tornar voluntária. Enviei um e-mail e na resposta indicavam a necessidade de agendar uma entrevista. E assim foi. No dia e hora marcados (confesso, cheguei 9 minutos atrasada, pois não encontrava a rua!) lá estava eu. Anunciei-me e pediram-me que aguardasse. E eu esperei. Pouco tempo depois, chegou outra rapariga, que se sentou na sala de espera, ao meu lado. E esperámos as duas.

20 minutos depois, lá desceu a senhora que ia conduzir a entrevista, pedindo para aguardarmos numa sala. E nós entrámos.

- Boa tarde. Então já sei que querem desenvolver voluntariado connosco. Podem dizer-me porque é que escolheram esta instituição?

E diz a outra rapariga:

- Er… bom, eu venho mesmo para uma reunião sobre a visita de estudo…

E foi ali que eu percebi que a senhora não sabia com quem ia reunir, ou seja, nem os nossos nomes sabia, para além de não saber a que horas tinha marcado a entrevista comigo (eu pedi desculpas pelo meu atraso e acho que ela nem deu conta!).

A senhora da visita de estudo saiu da sala, a pedido da senhora da instituição.

- Então, diga-me porque escolheu a nossa instituição?

A minha resposta foi breve: conheço uma voluntária que está cá, tenho vontade de fazer voluntariado e pensei que talvez fosse uma boa ideia, uma vez que acompanho o trabalho dessa voluntária.

Perguntou-me pela minha disponibilidade. «Pós-laboral», respondi. E então foi-me dito que as acções desse horário se desenrolavam desta e daquela maneira. Ah! E que não tinha vagas. Mas que podia preencher um formulário e aguardar o contacto para uma acção de experiência e um curso inicial. Tudo isto, sem saber quando haverá vagas, claro.

E eu preenchi o papel. Deixei o campo da empresa «traçado».

- Não está a trabalhar? – perguntou-me
- Estou.
- E não indica o nome da empresa?
- Não.

Adeus e até breve.

Passaram 5, 7 minutos. Sim. A minha entrevista demorou 7 minutos. Eu desloquei-me da minha aldeia, fui de carro, de metro e a pé. Fiz um percurso de 39 minutos para uma entrevista de 7 minutos, cuja informação me poderia ter sido enviada por e-mail. E outros 39 minutos para regressar.

«Obrigada, Joana, mas neste momento não temos vagas. Podes preencher o formulário e devolver e assim que tivermos vagas, contactamos.» - isto teria bastado. Porquê? Porque não gosto de perder tempo. É-me muito precioso, tendo em conta as inúmeras actividades nas quais estou envolvida.

O que me motiva no voluntariado não é o facto de ter muito tempo livre e não saber o que fazer com ele. É a vontade de colaborar num projecto, comprometendo-me com uma instituição com a qual me identifique. Ou seja, sinto que neste processo todo, a instituição me fez perder tempo desnecessariamente. Podiam dizer: ah pretendiam que conhecesses as instalações. Pois, nem sequer isso aconteceu.

Não percebi o motivo da entrevista. Para me conhecer melhor? Não me parece, uma vez que o formulário só solicitava informação básica, nem sequer me foi perguntado se tinha experiência de voluntariado. O importante é saber para que empresa trabalho? Er…

Com tudo isto, estou em busca de outra instituição. Não significa que não vá voltar a esta. Significa, sim, que até considero ser um bom sinal que não haja vagas para voluntariado: há muita gente disposta a dar o seu tempo para ajudar os outros.

E é isso que eu vou fazer.

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