os textos aqui apresentados são redigidos em desacordo com o Acordo Ortográfico #AO90







domingo, 5 de junho de 2011

Da minha experiência vertiginosa

Deitar a cabeça na almofada, à noite, sem qualquer sintoma ou mau estar e na manhã seguinte ter a sensação de que o mundo anda à roda: eis o que me aconteceu há umas semanas atrás.
«Mas Joana, ainda ontem estavas bem» - exacto. Confere. E ainda anteontem estava em Madrid. E agora o mundo não pára de rodar.
A sensação de vertigem é algo que eu nunca tinha sentido. Já saltei de pára-quedas, sem qualquer problema. Em pequena adorava subir os escadotes e os armários lá de casa, sem qualquer problema.
Mas há uns meses sentia qualquer coisa à qual não dei importância: descer muitos degraus, imagine-se, as escadas do Metro Baixa Chiado, era uma tarefa difícil: os degraus pareciam todos iguais e eu fazia tal força nas pernas para não cair que na manhã seguinte me doíam as canelas, do esforço.

Nada de muito importante.

No dia 17 de Maio custou-me a perceber o que tinha. A experiência de mamãe Sabel nestas coisas das síndromes vertiginosos ditou o veredicto. A médica receitou-me betaserc. Nada que não estivesse à espera.
Liguei para a minha nutricionista (que é o meu SOS nestas coisas da saúde e da doença). Tomei a vitamina recomendada. E repousei. Em silêncio e na escuridão. E ao 7º dia o desespero: poucas melhoras. E já tinha ido às urgências.
Tomei a decisão de visitar um bom acupunctor, altamente recomendado. E ao 9º dia eu volto a sorrir: porque o 1º tratamento de acupunctura e electroacupunctura me deu um sinal de melhoria efectiva. Na Clinica Tsuchyia o Mestre e os terapeutas receberam-me muitíssimo bem, com uma atenção extrema e dedicada. Fiz 6 tratamentos e ao 6ª foi dia de Sayonara. De dizer adeus e até um dia destes. A competência do Mestre Tsuchyia é impressionante e transmite muita confiança a quem está a passar por este tipo de processo.

Tenho consciência de que as melhoras ocorridas desde o 9º dia de crise ao 15º são da inteira responsabilidade das agulhas do Mestre. O betaserc pouco ou nada fez nos primeiros tempos e valeu-me o repouso.

As notícias do otorrino também não trouxeram novidades: anda muito cansada? Pega em pesos? Trabalha com computador? Pois. Tem que se proteger e evitar o computador, fazer alguns minutos de repouso…

Mas vou fazer os exames: ressonância e um estudo de equilíbrio, para despistar o que quer que seja que possa não estar bem. Mas com a certeza de que estes fenómenos são ainda pouco entendidos pela ciência (causas incertas), mas são cada vez mais recorrentes, em idades diversas. Vou também inscrever-me no pilates, seguindo a recomendação do otorrino.

Compreendo a perplexidade de quem não tem a noção de como passar por isto é incapacitante: não conseguia ler, escrever, teclar, conduzir… e só o gesto de secar o cabelo com a toalha era sinónimo de vertigem a acentuar-se,

Tenho a noção de que as pessoas não compreendem. E que algumas não querem compreender.

Já percebi que tenho que aprender a viver com isto. E que, ainda que precise de uma pausa para retomar as coisas da vida, não vou parar.

Obrigada aos amigos «reais» que me foram enviando sms e as boas energias. Obrigada também aos amigos «virtuais» que no twitter e no facebook deram conta da minha ausência e procuraram ter notícias minhas.

Obrigada à minha frota de motoristas: Noémia, Dora e Nuno. À mãe de mê filhe por me acompanhar nas urgências. Ao manu lindu por tudo. À mamãe Sabel por tudo mais.

E aos meus amigos Friqui e Farrusque por me acompanharem nos momentos em que me sentava nos degraus do quintal, no final da tarde, com sombra, para respirar o ar do mundo.
 

2 comentários:

alice disse...

Joana eu nunca passei por vertigens, mas já passei por outros males, igualmente mal aceites.
Já me diagnosticaram fibromialgia e fui a chacota do pessoal!!
Curiosamente também me "curei" com agulhas, porque a medicina não fez nada por mim.
A minha conclusão de arrumação de assunto foi que penso demais, sinto demais, vivo demais e o corpito não se aguenta!!
Tenho para mim que também és dessas!!
E ainda bem que voltaste, pá! ;)

lady.bug disse...

uma amiga minha disse-me isso mesmo: Joana, tu pensas demais!

e é um facto :)

vou (mais uma vez) procurar acalmar o ritmo antes que isto dê cabo de mim

é que ainda tenho TANTO para fazer e tanto barro para moldar

uma vida não chega :D