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domingo, 5 de junho de 2011

working poor, banco alimentar, Isabel & o gesto de dar

em entrevista à TSF, Isabel Jonet apresenta-nos a sua visão acerca dos pobres e do Estado social.

«As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês», afirmou Isabel Jonet, em entrevista ao programa Gente que Conta.
No entender da responsável, «isso vai trazer alguma perversidade neste tipo de formulas de emergência e que deviam ser reduzidas ao máximo, mas, sobretudo vai fazer com que o montante que é afectado a essas prestações sociais atinga níveis insustentáveis e incomportáveis para o Estado».

diz a responsável do BAF que há uma nova geração de pobres. apresenta-nos o conceito de «working ppor». denuncia aqueles que usufruem de subsídios e das ajudas do BAF para poupar dinheiro para a gasolina e para outro tipo de bens.

e a senhora tem alguma razão. quem não conhece pessoas que preferem o subsídio de desemprego ao trabalho numa área diferente? quem não conhece pessoas que usufruem de subsídios disto e daquilo e não se inibem de comprar um telemóvel XPTO? todos conhecemos, certamente.

mas também sabemos de relatos de quem vai ao terreno e ajuda quem nada tem. e é nesse espírito, de verdadeira ajuda, que o BAF e quem a ele se dedica se deverá movimentar. a  Isabel Jonet tem direito às suas opiniões, mas enquanto «purzidenta» do BAF não pode (não deve, pronto) defender [como diz o António Quintas no seu facebook] «ideias e conceitos perigosos». diz ainda o António: «A verdadeira perversão é a necessidade de existência de um banco alimentar numa sociedade que gera tanta riqueza

tenho consciência que quando dou, corro sempre o risco de parte da dádiva ir parar às mãos de quem não precisa. há sempre oportunistas. mas também corro o risco de levar leite a quem não tem uma refeição decente durante o dia. ainda ontem falava com uma voluntária da Comunidade Vida e Paz sobre o seu trabalho nas voltas dos sem abrigo. dizia-me ela que há cada vez mais gente com fome. não se trata necessariamente de gente sem casa, mas de gente com fome. sem ter o que comer. e essa é uma realidade que não dá para ignorar.

considero pertinente a observação do Tiago Figueiredo [via facebook]: «É verdade que há muita coisa que funciona mal no nosso Estado Social, mas também é verdade que há muito boa gente a quem dá jeito a existência de pobreza e exclusão social

ficam aqui estas notas para reflectir.
e termino lembrando que a Comunidade Vida e Paz precisa de leite.

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