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sábado, 6 de agosto de 2011

pesos pesados que se tornam leves. ou não.

li uma entrevista na Visão a um nutricionista, Pierre Dukan, que às páginas tantas diz: «os nossos genes foram constituídos para nos desenvolvermos num espaço hostil, onde se tinha que caçar, pescar e lutar. Hoje a vida está muito facilitada.» e basicamente, não nos mexemos e os genes que nos «ordenavam» a fazer reservas são os mesmos de há muito, muito tempo.
a dieta deste senhor é inovadora: começa com uma 1ª etapa só de proteínas (carnes), a 2ª etapa de cruzeiro (escolhem-se cem alimentos entre proteínas e vegetais), depois no peso ideal acrescentam-se mais alimentos e a comida de festa.
as medidas, diz Dukan, têm que ser negociáveis, para não provocar traumas. aconselha ainda o uso de escadas e as caminhadas. os ovos podem ser ingeridos todos os dias (se não tiver colesterol alto, nesse caso apenas 4 por semana).
[o médico do posto de saúde aqui da aldeia também recomenda um ovo por dia... julgava que ele tinha contrato com um aviário, mas afinal...]



fotografia retirada daqui
 numa altura em que os programas em que ganha quem perde mais estão na moda, é curioso ver toda uma agitação perante estas coisa da obesidade, da necessidade de mudar de estilo de vida. espero que os exemplos destes concorrentes (um deles terá perdido o peso equivalente a um adulto, 70 kg, ficando ainda com 100kg) sejam um incentivo para quem passa horas a comer bolos, sentado no sofá, a ver televisão. é necessário compreender os benefícios da vida saudável, para a saúde física e psicológica.
e as mudanças destes concorrentes são enormes, em tão curto espaço de tempo. e isso é de valor. ou será que trará custos no futuro?
custos, sim. nas articulações, por exemplo. aqueles moços e moças treinavam intensamente (sem dúvida) e não demoraram muito tempo a acusar lesões.

«Verifiquei também, que a grande aposta do programa é na insistência do exercício físico que, segundo me têm dito, tem dado origem a inúmeras lesões musculares. Não é de admirar, pois nunca na minha vida profissional encontrei um médico que aconselhasse pacientes obesos, e muito menos com aqueles índices de obesidade, a fazerem exercício daquela forma exagerada. O que acontecerá aos concorrentes quando saírem do programa? Quem se responsabiliza pelas lesões musculares, ósseas ou outras, que continuarão a ocorrer fruto de uma sobrecarga, tão brutal quanto maior o excesso de peso, sobre pés, joelhos, coluna, etc., etc.?»

Paula Veloso, nutricionista, diz-nos AQUI que o programa Peso Pesado pode constituir-se como um mau exemplo para quem quer perder peso.
recordo-me de ver o programa e de pensar: «mas ninguém diz ao concorrente que aquilo não é postura para se ter no remo?»

tenho por experiência uma perda de peso que me fez passar a vestir 3 números abaixo. para tal, adoptei uma alimentação com qualidade (negociando sempre aquilo que gosto e que não gosto. por exº, não gosto de fruta cozida e assumi sempre que não iria fazer esse sacrifício) e em quantidades distribuídas ao longo do dia. nessa altura inscrevi-me no ginásio. comecei a mexer-me e a sentir-me melhor. perdi 23 quilos, no total. num ano, talvez. tenho neste momento 50/50 em massa muscular e massa gorda (diz o avaliador físico do ginásio que é raro em mulheres). mas já recuperei esses quilos, à conta de um descontrolo hormonal que me visita frequentemente e um metabolismo extraordinariamente lento (o oposto de mim, que sou uma 'ssoa sempre em movimento). continuo a ser acompanhada na nutricionista de sempre, que me tem ajudado a compreender aquilo que o meu organismo é e o que posso fazer com ele.

perder peso é fácil (basta mudar alguns hábitos alimentares) e deve ser um processo moderado. é claro que tens que querer muito que isso aconteça. a verdadeira dificuldade é manter o peso ideal, integrando o dia a dia no nosso plano alimentar. sim, passar por meses de privação face às batatas e às massas ou mesmo a um doce... o segredo é integrar esses consumos, com moderação.

no meu caso, já estou noutra fase, a lutar contra um sistema endócrino que não me facilita a vida. mas não desisto. ah. há ainda o problema da hipoglicémia que me obriga ao consumo de açúcares lentos para evitar desmaios e coisas do género. é por isso que a minha nutricionista me considera um desafio!

continuo à procura do endocrinologista que olhe para as minhas análises com olhos de ver e que acredite naquilo que eu digo, quando descrevo a minha alimentação e os meus aumentos de peso. acreditem, não é tarefa fácil. e sei que não serei um caso único.

2 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

É impressão minha ou esse tipo está a incentivar a malta a caçar? E logo hoje que não trouxe a caçadeira...

lady.bug disse...

é impressão tua, canito-bem-cheiroso!