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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Dias de Vinho e Rosas

fotografia de Mário Tavares
Donal e Mona encontram-se no terminal do aeroporto. Ambos de Belfast, partem para Londres, em busca de uma vida nova. Mona é iniciada numa vida até então desconhecida, fruto de uma educação algo restritiva e a partir daí seguem-se dias de vinho e de rosas – com espinhos.



A peça brinda-nos com uma leveza daquelas que se encontra num bom espumante. Proporciona-nos bolhas de alegria cósmica e de tragédia individual. O nosso palato é confrontado com a doçura de se querer viver o instante e o amargo de um quotidiano onde a vida não faz sentido.


Contar os dias de sobriedade é tarefa de Mona, que culpa Donal pela incursão ao mundo do álcool. Tal como Alice, Mona é atraída para o rabbit hole, sem saber muito bem o que encontrar. E a partir do primeiro gole, duma garrafa estranha que grita BEBE-ME, o caminho é sempre a descer, às profundezas do ser que se dilui em bebida, atrás de bebida. Mona não é capaz de ver os espinhos que a magoam, nos dias de rosas que partilha com Donal.

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